Archive for the ‘Curiosidades’ Category

“Paredões” da Copa – Trofeu Lev Yashin

04/06/2010

O natural era que o post de hoje fosse do Noronha, mas como ele viajou, nós trocamos. Na segunda-feira ele estará de volta!

Ser goleiro é ser único dentro de um time de futebol. Só ele pega a bola com as mãos e usa um uniforme diferente, além de luvas. É o responsável por evitar aquilo o que todos querem ver: o gol. Mas também arranca suspiros de alívio dos torcedores da sua equipe quando opera um “milagre”. Dizem que é uma posição ingrata, uma pressão inigualável…  afinal, “engolir um frango” pode custar a perda de um título. Mas fazer defesas brilhante, pegar um pênalti (ou até mesmo dois, ou três) pode reverter esse quadro e transformar o arqueiro em um heroi.

Nas Copas do Mundo, desde 1994, o melhor goleiro da competição ganha um prêmio chamado “Trofeu Lev Yashin”. Nada mais justo, afinal, Yashin é considerado por muitos o melhor goleiro da história do futebol.  E aqui no blog as figurinhas – que são sempre as primeiras de cada página nos álbuns – dos vencedores deste trofeu ganham destaque, começando pelo craque que dá nome ao prêmio.

*Este texto é dedicado somente aos vencedores do prêmio. Outros grandes goleiros, como Peter Schmeichel, com certeza serão lembrados em posts futuros.

Lev Yashin (figurinha do álbum de 62) – O goleiro, conhecido como “Aranha Negra”, devido ao uniforme todo preto, defendeu a União Soviética em Copas do Mundo de 58 a 70. A participação em 58 foi a melhor. Em um jogo contra a Áustria, defendeu um pênalti sem dar rebote, supreendendo a todos. No jogo contra a Inglaterra, que decidiria a vaga para os mata-matas, Yashin segurou heroicamente a pressão inglesa após o gol da URSS, que foi o único da partida. Números apontam que Yashin defendeu 150 pênaltis na carreira. Além disso, tinha uma visão de jogo e capacidade de antecipação das jogadas fora do comum.

Michel Preud’homme (1994) – Experiente em 1994, o goleiro belga tomou apenas um gol, fez  e foi responsável direto pela classificação de seu país às oitavas-de-final. Apesar de ter ido à área adversária para tentar marcar um gol, não conseguiu segurar a Alemanha e a Bélgica foi eliminada, perdendo por 3×2. Mesmo assim, foi considerado o melhor goleiro da Copa. Era chamado de Saint Michel pelos fãs, por causa das defesas impossíveis e pelas vitórias que segurou sozinho.

Fabien Barthez (1998) – Titular da seleção da França na Copa de 1998, Barthez assegurou a titularidade na meta francesa até a Copa de 2006, quando se aposentou. O país-sede daquele ano, comandado pelo craque Zidane, chegou à final contra o favorito Brasil, e em jogo cheio de polêmicas, venceu por 3×0. Barthez foi considerado o melhor goleiro do torneio e se tornou um ídolo em seu país.

Oliver Kahn (2002) – Além de receber o  trofeu Yashin (apesar de ter dado um rebote em uma bola defensável em plena final), foi o primeiro goleiro a ser considerado o melhor jogador do Mundial e suas atuações brilhantes levaram a Alemanha à final contra o Brasil.  É considerado por alguns o goleiro mais completo que já existiu. Muitos brasileiros questionam os prêmios ganhos pelo alemão em 2002, alegando que o melhor jogador da Copa teria sido Ronaldo, ou Rivaldo, e o melhor goleiro, Marcos, que resolveu para o Brasil na hora da decisão.

Gianluigi Buffon (2006) – O tetracampeonato mundial conquisado pela Itália era o cenário perfeito para homenagear um dos maiores goleiros do futebol atual. Buffon é um goleiro seguro e de ótimos reflexos, retrato dos verdadeiros paredões defensivos que a seleção italiana costuma armar.

Anúncios

Herois da maior goleada de todas as Copas

30/04/2010

A Copa de 1982, na Espanha, é mais lembrada por nós, brasileiros, pela eliminação precoce da seleção de Zico, Sócrates, Falcão & cia (considerada uma das melhores de todas até hoje), do que de por qualquer outra coisa. Mas há um fato marcante e importantíssimo para a História da Copas que aconteceu nesta edição do torneio, e merece grande destaque: a maior goleada das Copas do Mundo. O 10 x 1 da Hungria sobre El Salvador por si só já é um recorde, mas ainda há muito mais envolvendo este jogo do que apenas o resultado. E o álbum de figurinhas deixou tudo (ou quase tudo) registrado.

Bom, vamos começar pelo grande personagem da Hungria. Sim, foram vários destaques, jogadores que fizeram gols, afinal foram 10. Até por isso, falar de todo mundo aqui vai ficar complicado. Então voltemos nossas atenções para o principal artilheiro da partida: o atacante László Kiss, que marcou três vezes. Bacana né? Que música será que ele pediria no Fantástico? Uma música popular no país dele, talvez. Mas esse não é o mérito da questão. O que chama a atenção é que ele virou um debutante, entrou para a história com esses gols. Por quê? Porque ele era reserva. Foi o primeiro reserva a marcar três gols em uma partida de Copa do Mundo! Como diria Milton Leite, esse daí “se consagrou”.


Mas o maior heroi do jogo está no outro lado. “Peraí, alguém que perde de 10 vira heroi de alguma coisa?”. Bom, o jogo foi 10×1. O cara que fez esse único gol virou ídolo, afinal, salvou a honra de seu país. É aquele negócio, “Tomei 10, mas não perdi de zero”. E o nome dele é Luis Ramirez, meia, considerado o maior jogador do país. É aí que entra a parte do “quase tudo” citada lá em cima. O maior jogador de El Salvador não está no álbum! A página de figurinhas duplas tinha um número reduzido de jogadores e não contemplou o jogador. Uma vergonha.


Enfim, a história é essa. Os outros goleadores da Hungria foram Nyilasi (2) , Pölöskei (1), Fazeskas (2), Tóth (1) e Szentes (1). Desses, só Pölöskei não estava no livro ilustrado.

É importante dizer que houve outras goleadas BEM SONORAS em Copas, como Hungria 9×0 Coreia do Sul, em 54, e Iugoslávia 9×0 Zaire, em 74, essas sem direito nem a gol de honra. Só para citar algumas.

O único argentino negro campeão mundial

28/04/2010

Não é um texto engraçado. Não é um texto com piadas. É simplesmente algo que está na história. E no álbum da Copa.

Argentina, 1978. O país sedia a Copa do Mundo e é campeão, em plena ditadura. Maradona não foi, não está no álbum. Outras estrelas foram, e estão lá. Fillol, Kempes, Luque, Passarella… Porém, a última figurinha chama atenção. O goleiro reserva, que nem entrou em campo.

Negro, Hector Baley entraria para a história sendo o único argentino negro campeão mundial. 

Estaria também no grupo de 1982, aquele que foi eliminado pelo Brasil e Itália na segunda fase. Novamente não entrou em campo, mas já tinha deixado uma marca.

E até hoje convivemos com casos de racismo, como em faixas da torcida Argentina em jogos contra o Brasil, por exemplo. Não só lá, aqui também, como vimos semana passada com Danilo, do Palmeiras. Inaceitável.

Thierry Henry e o efeito “Michael Jackson”

26/04/2010

Para quem conhece futebol o fato de o astro francês Thierry Henry ser negro não é novidade. Porém, o que nem todos se lembram é que entre 1998 e 2002 ocorreu um fenômeno um tanto quanto sobrenatural com esse jogador, no que diz respeito ao tom de sua pele. E nos álbuns da Copa esse fato ficou registrado. Veja:


Primeiro, a figurinha de Henry em 98, ainda jovem, com bigodinho de Will Smith e pele, é claro, escura.

Eis que surge a foto do atacante no álbum de 2002:


Wow! O que aconteceu com a pele dele? Alguém pode explicar? Ele continua negro, mas a diferença é gritante. É o mesmo que aconteceu com o rei do pop Michael Jackson, na época em que as bizarrices começaram a ficar evidentes na vida dele.


Felizmente, a vida do jogador não se tornou um conto de Neverland, e ele não chegou à terceira fase mostrada nas fotos, não fez plásticas no nariz, não deformou o rosto, nem nada. E o tom da sua pele nos anos seguintes continuou o mesmo. Mas que é estranho o fenômeno entre 98 e 2002, isso é!

Já que estamos falando em Henry, há outro fato que merece destaque. Um erro, para ser mais claro. Nas edições de 1998 e 2002 do álbum, a ficha diz que ele nasceu em Paris, o que não é verdade, porque ele vem de um lugar chamado Les Ulis. A partir de 2006, o álbum veio com o local de nascimento verdadeiro do jogador.

Como prova de que o blog também é feito por vocês, esse post teve a ideia reforçada pelo leitor Everton Radaelli. Valeu, Everton!

Figurinhas que calaram o Brasil

22/04/2010

Entre os mitos das Copas já citados aqui no blog estão o goleiro da seleção peruana Ramon Quiroga (78-82) e o artilheiro Paolo Rossi, da Itália (78 a 86). A posição e a nacionalidade de ambos são diferentes, mas eles têm algo em comum: foram carrascos do Brasil em Copas do Mundo. Na Copa de 78, o goleiro, de nacionalidade argentina, entregou o último jogo do grupo na segunda fase para seu país de origem, que precisava de quatro para se classificar. A Argentina bateu o Peru por 6×0 e o Brasil ficou fora de combate. Em 82, Rossi marcou três vezes na vitória por 3×2 sobre o Brasil na segunda fase e eliminou nossa seleção.

Além desses dois, o Brasil já teve outros carrascos, alguns deles responsáveis por eliminações ainda mais traumáticas para os brasileiros. E é claro que eles viraram figurinhas! Então veja a seguir outros dos principais carrascos do Brasil em Copas do Mundo e as figurinhas deles nos anos em que eles nos fizeram suas vítimas.

Alcides Ghiggia (1950) – “Apenas três pessoas calaram o Maracanã: o Papa João Paulo II, Frank Sinatra e eu”. Esta frase foi dita pelo uruguaio Alcides Ghiggia, muitos anos depois de ter feito o gol que arrancou o primeiro título mundial das mãos do Brasil em pleno Maracanã. A final estava empatada em 1×1 quando Ghiggia calou os 200 mil presentes, dando números finais à partida e a taça ao Uruguai. É o maior trauma do futebol brasileiro, apelidado de Maracanazo. Ghiggia virou figurinha no álbum de 70, em uma seção dedicada aos grandes craques de Copas anteriores.

Ghiggia na época da Roma, após a Copa de 50

Johan Cruyff e Neeskens (1974) – O Brasil estava em alta após o tricampeonato em 70, mas não foi páreo para os Países Baixos, ou Holanda, ou Laranja Mecânica, como preferir. O craque Johan Cruyff comandou aquela seleção rumo às finais, onde acabou perdendo. No meio desse caminho estava o Brasil, que tinha Rivelino e Jairzinho. Mas Cruyff e Neskeens colocaram fim no sonho do tetra naquele ano: marcaram um gol cada no 2×0 sobre o Brasil, no último jogo da segunda fase.

Caniggia (1990) – Tem algo pior para o futebol brasileiro do que perder para a Argentina? Pois é, o atacante Caniggia nos deu esse gosto fazendo o gol que eliminou o Brasil nas oitavas-de-final da Copa de 1990. Bem, de certa forma, o gol foi ofuscado pela polêmica envolvendo a água batizada que o massagista da Argentina deu ao lateral-esquerdo Branco. Anos depois, Maradona confessou o fato na mídia argentina… é mole?

Zinedine Zidane (1998) – Mais uma vez a seleção brasileira era favorita, credenciada pelo título conquistado em 94. Chegou à final, embalada pelos gols de Ronaldo, mas a alegria acaba aí. Ronaldo sofreu convulsão antes da partida mas acabou jogando mesmo assim. Não rendeu. O resto do time também não. Quem brilhou foi a estrela de Zidane, que engoliu o Brasil, jogou muito e marcou dois gols na vitória por 3×0 que deu o título à França.


Thierry Henry (2006) – Zidane também jogou em 2006, e muito por sinal, mas o carrasco francês (de novo) do Brasil foi outro. Henry marcou o gol que eliminou a badalada seleção brasileira de 2006, que estava mais preocupada com o marketing do que com jogar bola.