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Destaques da África – Parte I

21/07/2010

Leitores! Depois desta Cobertura Especial durante a Copa do Mundo, o Copa em 3×4 vai voltando ao normal, com posts às segundas, quartas e sextas. Ainda vamos abordar alguns assuntos relacionados ao mundial da África do Sul, mas aos poucos vamos voltando às curiosidades dos álbuns, que é o verdadeiro intuito deste blog. Como a Copa acabou, futuramente algumas mudanças no nosso projeto editorial deverão ser feitas, podem aguardar.

Como é de praxe, após a Copa a FIFA distribuiu prêmios individuais aos jogadores. E já que elegemos os melhores e piores em cada partida, resolvemos fazer uma premiação final também. Serão 13 categorias, divididas em dois posts. Aí vão as sete primeiras. Opinem!

Figurinha de Ouro: Os dois autores deste blog vibraram muito quando saiu a notícia de que Diego Fórlan havia sido eleito o Craque da Copa do Mundo. Justiça foi feita. Com as grandes estrelas do futebol pipocando vergonhosamente no mundial, o uruguaio foi o jogador mais decisivo do torneio. Marcou bonitos e importantes gols, fez belas jogadas, e o mais importante: foi o líder de uma seleção na qual poucos acreditavam e acabou chegando às semifinais. Sneijder e Villa, que também foram decisivos e chegaram à final, eram os mais cotados para o prêmio. Mas, como poucas vezes no futebol, a sensatez prevaleceu. GRAÇAS A DEUS.

Zé Bonitinho: Pique, Torres, Canavarro etc… Vários jogadores foram “Escolha do Ricky” aqui no blog, eleitos pelas meninas os mais bonitos das partidas. Mas nenhum jogador, nenhum mesmo, é tão bonito quanto ele: GERVINHO. A ironia é meio óbvia, mas o jogador mais legal da Copa merece uma homenagem. Além da aparência SENSACIONAL, o cara mostrou que sabe jogar! Boa Gervinho, até o próximo mundial!

Paredão: Todos os programas de TV fizeram a mesma piadinha, mas nós precisamos repeti-la. O melhor goleiro da Copa vestiu a camisa 9. O nome dele é Suarez. Meteu a mão na bola no último minuto, foi expulso, mas deu ao Uruguai uma última chance de ir às semifinais. E o que parecia impossível aconteceu: Gana perdeu pênalti e, na decisão por pênaltis (oooolha só…) a Celeste se classificou. E ainda tiveram uns idiotas que o vaiaram, todos cheios de moralismo… É cada uma, viu.

Patriota Chorão: No meio do hino da Coreia do Norte no jogo contra o Brasil, a câmera focaliza um cara chorando de soluçar, igual a uma criança. Era Jong Tae Se, o ROONEY ASIÁTICO. Só de ter esse apelido ele já merecia um prêmio. O choro patriota rendeu esta singela homenagem do Copa em 3×4. No mesmo jogo, Maicon quis roubar o troféu do “Rooney”, mas o choro era mais de alívio do que qualquer outra coisa…

Nome da Copa: Tshabalala. Tshabalala. Tshabalala. Esse nome é demais. Daqui a alguns anos, nosso país dará as boas vindas a alguns Tshabalalas brasileiros. Serão filhos de fãs de Copa do Mundo.

Eu virei um ninja do Mortal Kombat: Eles não sabem brincar. Eles são discípulos do Lindomar, o Sub-Zero brasileiro (veja neste link). O holandês De Jong simplesmente  APLICOU uma VOADORA NO PEITO DO ADVERSÁRIO em plena final da Copa do Mundo. Nas semifinais, Cáceres, do Uruguai, deu uma BICICLETA NA BOCA do marcador. CLÉBÃO, ex-Palmeiras, é fichinha perto desses caras.

Me engana que eu gosto: ATENÇÃO – Prêmio dedicado à maior enganação da Copa. Se você é fã de jogadores metrossexuais, não continue a ler este tópico, você pode se irritar.

Se quisermos listar as decepções dessa Copa, vamos escrever um post de umas quatro páginas. Teve Rooney, teve Kaká e mais um monte (o Messi não, ele até jogou bem). Então vamos focar na maior enganação do futebol mundial na atualidade. Senhoras e senhores, mais uma vez, aparece aqui no blog ele: CRISTIANO RONALDO. Em fazer jogadinha bonitinha para a câmera ele é mestre. Em ficar olhando pro telão para ver a si mesmo ele é gênio. Agora, jogar um futebol objetivo (sem abandonar a habilidade e arte), coletivo, com garra e vontade… NAAAADA. Ver esse cara ser chamado de craque só faz engrossar o coro: VOLTA, ZIDANE.

Uruguai 1 (4) x (2) 1 Gana – Épico

06/07/2010

O comum aqui é falar de álbum de figurinhas, e durante a Copa criamos nossa cobertura diferente. Se é boa ou não, vocês julgam. Esperamos que gostem, claro. Mas, agora, quero escrever sobre algo diferente. E como, com todo respeito, o blog é meu, vou escrever. Se o Danilo não gostar, ele reclama comigo depois.

Dizem que o futebol é inútil. Eu mesmo não vejo muita utilidade. E mesmo assim sou doente mental por ele. Gasto dinheiro que não tenho, assumo, para acompanhar meu time. É um erro. Mas tenho 20 anos, moro fora de casa e, mesmo dependendo em várias coisas ainda de meus pais, já tenho certa independência, por sorte. Então gasto com o que gosto. E amo meu time. Amo futebol.

Só um time me havia feito chorar por futebol até o dia 2 de junho de 2010. Lógico, o Santos. Aqui, evitamos citar o time que torcemos, não é algo, digamos, muito jornalístico. Mas nesse texto não vejo problema. Porque, agora, Uruguai e Gana mudaram isso. Ao fim do jogo, após a comemoração dos celestes, senti lágrimas em meus olhos. Porque quem ama futebol se emocionou com a peleja, já histórica.

Antes daquela quarta de final, no mesmo dia, o Brasil havia sido eliminado pela Holanda. Eu não torço para o Brasil, como já falei outras vezes por aqui. Futebolpara mim é torcer para meu time e, entre seleções, torcer para a história. Então, quando a Nova Zelândia sai eliminada invicta de uma Copa, é muito mais legal do que o Brasil com esse time ridículo indo longe.

Uruguai e Gana é um jogo no qual não tem como torcer para uma ou outra. Gana poderia ser a primeira africana em uma semifinal. Isso é motivo para torcer para eles, sim, mas isso faria com que Senegal, para quem tanto torci em 2002 e sei a escalação de cabeça até hoje, não fosse mais a dona da melhor campanha do continente – junto com Camarões-90. Uruguai, pelo motivo da história. Bi-mundial, depois se apequenando, e do nada 23 caras fazendo um país menor que a capital do meu Estado enlouquecer de alegria. Mas eles já foram campeões, é sempre mais legal um inédito. Decidi não torcer. Apenas vibrar e assistir a história sendo feita.

Hino já é algo que me faz ficar emocionado. O uruguaio é espetacular, gosto muito. Já me faz entrar ligado no jogo. Mas o mesmo começou morno, sem grandes emoções. Foi crescendo com o passar dos minutos. Quando Lugano se machucou, muitos enxergaram o desastre celeste. Eu enxerguei a possibilidade da história começar a ser feita. O capitão sair cedo assim? Algo devia acontecer. Forlán pegou a faixa. Líder. Craque do time. Mas Muntari abriu o placar graças às curvas da Jabulani.

Aí Forlán foi lá e deu um chute tão venenoso que Kingson ainda não sabe por onde passou. E, a partir daí, virou um ataque para lá ataque para lá maluco que já transformava o jogo em Top 3 do Mundial.

Foi quando aconteceu o momento que fez Uruguai e Gana ser o Top 1 do Mundial. Talvez, dos mundiais desde 1990, 94, sabe-se lá. Suárez, um ótimo atacante que estava meio sumido, se tornou o maior goleiro da Copa. Me desculpem Enyeama e Benaglio, mas vocês, agora, são banco da seleção da Copa que faremos aqui ao fim do dia 11 de julho. Porque Suárez usou a mão por mais de 3 milhões de  pessoas que, de boca aberta e choro livre, assistiam àquele lance em Montevidéu, Canelones, Rivera e todas as outras pequenas cidades uruguaias. Incrédulo, chorando que nem criança, virou vilão. Mas foi o gesto mais honesto da Copa. Porque deu vida à um país inteiro. No mesmo momento, eu pensei que ele poderia ter feito história se Gyan perdesse o pênalti. Mas Gyan não faria isso.

Fez. E Suárez se tornou herói. Seu choro se tornou sorriso o mais rápido que já presenciei. A cena dele indo para o vestiário, parando para ver o pênalti e voltando para comemorar é a cena da Copa mesmo que na final alguém faça quinze gols de bicicleta e o jogo seja 15 x 14. Um país o amava a partir dali eternamente. E isso é o futebol. Berrei feito idiota na janela de minha casa. Meus vizinhos não devem ter entendido. “QUEM NÃO AMA FUTEBOL TEM QUE SE FODER”, como algum retardado grita isso numa tarde/noite de sexta? Nem eu sei, mas saiu da minha boca repentinamente. Eu amo futebol, e ali, mais uma vez, estava provado o porquê.

O Uruguai, ali, já era campeão. Obdulio Varela, Ghiggia e todos os heróis uruguaios de 30 e 50 já se davam por satisfeitos. Mas eles podiam mais. E foram para os pênaltis. E lá, antes de tudo, Gyan provou que é MACHO. Bater aquele pênalti é algo que não vejo outro jogador fazendo. E colocar no ângulo ainda? Nem Messi. Mas, para a tristeza de toda uma África, Mensah e Adiyiah também bateriam. Principalmente Mensah, que, quando vi que havia dado MEIO PASSO para trás da bola, sabia que ia perder. E eles enterraram o sonho africano. No meio dos pênaltis, um câmera focalizou uma torcedora de Gana chorando, com os olhos totalmente vermelhos. Quem viu, quase chorou junto, de tão forte e bela que é a cena.

Muslera virava herói. Rodolfo Rodríguez e Mazurkievicz se orgulharam. Mas faltava uma cobrança. Forlán, Maxi Pereira e outros conversaram abraçados que Abreu não seria maluco de bater um pênalti, o pênalti mais importante da história da celeste, de seu jeito característico.

Mas louco ele é. E bateu. E um país explodiu em felicidade.

Aposto que o Uruguai explodiu tanto como em 15 de dezembro de 2002, quando Elano empatou a final do campeonato brasileiro para o Santos. Naquele dia, quem estava em Santos pensou que o mundo tinha acabado, tamanho foi o barulho.

Montevidéu devia estar igual. E, se naquele dia eu chorei, era meio óbvio que choraria nesta sexta passada também.

Até o final da Copa, e este final pode ser hoje, sou Uruguai. Porque torço por histórias. E essa é, inegavelmente, a mais bela da Copa de 2010.