Peixes fora d’água

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A Copa do Mundo é o sonho de consumo de todo jogador, por mais mercenário que ele seja. Então, imagine um jogador muito bom que nasceu no Azerbaijão. Ou então um craque que não tem chances na seleção de seu país. Se ele tiver a oportunidade de conseguir dupla nacionalidade e defender outras cores, ele vai, como aconteceu com o brasileiro Liedson, hoje atacante de Portugal.

Isso, somado com o fato de que o mundo é livre e pessoas dos mais diversos tipos podem se relacionar e ter filhos, gera situações engraçadíssimas nos álbuns das Copas: os Peixes fora d’ água.

Jogadores que não têm absolutamente NADA a ver com seus companheiros. Alguns, mesmo tendo nascido no próprio país. Veja alguns dos casos mais marcantes:

Alessandro Santos (Alex) – Japão 2006
Pele escura, olhos relativamente grandes e cabelo crespo, raspado. Você apostaria que esse cara é tudo, menos japonês. E perderia. Nascido em Maringá (SP), Alessandro dos Santos é naturalizado japonês e joga atualmente no Nagoya Grampus. Só a gritante diferença entre ele e todos os companheiros já basta para ele ser o destaque do time!

Asamoah e Owomoyela – Alemanha 2006
O esteriótipo do alemão é o cara branco, de olhos e cabelos claros. E é isso o que você vê na página da Alemanha 2006. Exceto nessas duas figurinhas. Asamoah é natural de Gana, então é mais normal a diferença com os companheiros. O mesmo ocorre com o nigeriano Emmanuel Olisadebe, na página da Polônia em 2002. Já Patrick Owomoyela é alemão mesmo. Pardo e com dreadlocks, mas alemão.

Christopher Birchall – Trinidad e Tobago 2006
Filho de mãe trinidadense (ou seja lá o que for quem nasce lá), Christopher Birchall nasceu na Ingleterra. Em um jogo da terceira divisão inglesa, o jogador Dennis Lawrence descobriu suas raízes e o chamou para defender a seleção de Tobago. Convite aceito, Birchall se tornou o primeiro branco a defender a seleção caribenha.

Dhorasoo – França 2006
Bom, a França em si já é um mito, porque há tempos já derrubou a figura do francês loiro de olhos azuis. A maioria dos jogadores da seleção francesa é de negros, mas isso já não surpreende mais. O que chama a atenção mesmo é uma figura que consegue ser ainda mais diferente de tudo: Vikash Dhorasoo, o francês-indiano.

Oliveira – Bélgica 98
O maranhense Luis Airton Oliveira joga na Bélgica e definitivamente, não se parece com um belga. Mas o mais engraçado é que ele é chamado de OLIVERRÁ, por lá. Muito style.

Hristo Vidakovic – Iugoslávia 98
“Por que Hristo Vidakovic é um peixe fora d’água? Ele nem é tão diferente assim dos outros…”. Mas ele é bósnio. E o pau quebra há tempos entre Iugosláva (hoje Sérvia) e Bósnia. Aliás, nesses países pós-Iugoslávia, como a Croácia e Sérvia, há uma guerra sem fim, mas há muitos casos iguais ao de Hristo. Há coisas que só são possíveis no futebol…

Mark Fish – África do Sul 98
Na cultura da África do Sul, o futebol é visto como esporte de negros e o rugby, de brancos. Felizmente, esses paradigmas estão acabando. Tanto é que Mark Fish foi o capitão da seleção sul africana em 98!

14 Respostas to “Peixes fora d’água”

  1. Francisco De Laurentiis Says:

    Cara, faltou uma foto do Olisadebe, apesar de você ter citado ele!

    Não esqueço o comentário do narrador do DVD Placar da Copa 2002 quando o Olisadebe marca um gol na partida contra os EUA: “Tem uma cara de polonês”…

    Blog show de bola! Continue mandando ver!

    E se quiser dar uma conferida lá no meu: http://camisasfut.wordpress.com

  2. Felipe Says:

    Cara, na verdade a Bósnia fazia parte da Iugoslávia sim. E a Sérvia não é a própria Iugoslávia pós-guerra, e sim apenas uma parte resultante dela, assim como Macedônia, Eslovênia, Kosovo, Montenegro, Croácia e a própria Bósnia. Não há nada demais no Vidakovic não. O Milosevic jogou em vários times espanhóis e foi à Copa pela Iugoslávia. E também é sérvio http://en.wikipedia.org/wiki/Savo_Milo%C5%A1evi%C4%87 Essa dualidade era muito comum, só lembrar do mito Prosinecki, que jogou pela Iugoslavia em 90 na Itália e pela Croácia em 98. Falou

  3. Felipe Says:

    E também é bósnio*

  4. Felipe Noronha Says:

    Felipe, acho que você não entendeu. Claro que é comum, mas o caso do Prosinecki resume a realidade: a Iugoslávia foi dividida em vários países. O “principal” é a Sérvia, que é quem “HERDA” os resutlados da Iugoslávia. Ir à Copa pela Iugoslávia sendo sérvio é tipo ir à Copa pelo Brasil sendo… Brasileiro. Entende?

  5. André Carvalho Says:

    Quem nasce tem Trinidad e Tobago é trinitino, cara! E eu lembro que me espantei mais pelo cara jogar nas divisões inferiores da Inglaterra do que pela aparência bizarramente diferente… hehe.

  6. André Carvalho Says:

    Cara – http://2.bp.blogspot.com/_LJWyeY4cQ0o/SPjKuUcqLtI/AAAAAAAAAQw/JPpoYIsMJmE/s320/Dahlin.jpg

  7. André Carvalho Says:

    Dahlin podia ter entrado aí, hein?

  8. Felipe Says:

    Você que não entendeu Noronha. A propósito, só citei o Prosinecki pra efeito de comparação, atenha-se ao caso Milosevic-Vidakovic. Porque Bósnia era parte da Iugoslávia sim. Apontar o Vidakovic como peixe fora d’água é o mesmo que argumentar que Oleg Blokhin MITO não podia jogar pela URSS porque era UCRANIANO e não RUSSO. Leia de novo po!

  9. Alexandre Says:

    Para acabar com a polêmica cumpre observar que em 1998 a Bósnia não fazia mais parte da Iugoslávia – por isso o post está correto em colocar o jogador como “peixe fora d’água”

  10. Ton Says:

    Mas quando o jogador nasceu e optou por se criar na parte iugoslava, ao menos futebolisticamente falando, a Bósnia ainda fazia parte sim. Então está errado

  11. Nick Says:

    Tô lendo todos os posts do seu blog, me divertindo pra caramba.
    Acho legal alguns casos de jogadores que se naturalizam (como o do Deco, do Kurany e até mesmo o do Puskas e do Mazzola), mas acho que isso estraga um pouco o futebol, a graça das Copas.
    A França já há muito não tem cara de França… Já pensou se os jogadores africanos não se naturalizassem, como seria forte a seleção do Senegal, por exemplo? E teria cara de Senegal. A França tá sem identidade nenhuma… para mim não é uma seleção francesa que vai à Copa, mas um selecionado de jogadores africanos (ainda mais que eu estou com raiva deles, porque eliminaram a Irlanda injustamente).
    Portugal também está indo pelo mesmo caminho… Essa do Liedson eu simplesmente não consigo aceitar. Será que não existe um único centro-avante português que preste e eles têm que usar um brasileiro? Isso acaba até desestimulando as crianças portuguesas de jogar bola…

    De resto, muito legal o post.

  12. Marcelo Says:

    Maringá fica no estado do Paraná e não em São Paulo.

  13. Marcelo Says:

    Quem nasce em Trinidade & Tobago é trinitário ou tobaguiano, dependendendo de qual ilha o cidadão nasceu.

  14. Lick Says:

    Muito Legal e Interessante,conheci este site agora e já adotei aos Favoritos,adoro Futebol Alternativo ou Não-Alternativo e Álbuns de Figurinhas. Vc postou sobre o Mark Fish na Copa de 98,faltou o Hans Vonk goleiro da África do Sul em 2002 e descendente de holandeses

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